O envelhecimento da população, o avanço tecnológico, o acúmulo de doenças crônicas, por vezes, limitantes com perda de função física e cognitiva além da mudança atual na estrutura familiar, expõem os idosos aos riscos de ficarem sozinhos (quedas, uso inadequado das medicações, desidratação...) ou expõe o cuidador ao risco de sobrecarga (“Burnout”), sendo esta última a grande motivação para procura por instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI).
Também chamadas popularmente de “lares para idosos” ou “casas de repouso”, estas são moradias supervisionadas por profissionais da saúde em tempo integral, destinadas aos pacientes que necessitam de controle dos riscos e qualidade de vida. Muitos destes moradores apresentam duas ou mais doenças, algumas ameaçadoras a vida, além de sintomas que interferem no bem-estar, como: dor, falta de ar, cansaço, falta de apetite, tristeza, insônia, entre outros. Cabe ressaltar, a dificuldade de acessar estes sintomas na população com Demência de Alzheimer avançada, tornando importante o treinamento da equipe para identificação dos mesmos.
Cuidados Paliativos têm sua definição já estabelecida pela Organização Mundial de Saúde e deixa claro que o cuidado ao paciente deve ocorrer nas esferas física, emocional, social e espiritual, atuando na prevenção e tratamento da dor e outros sintomas, através de uma equipe interdisciplinar, além de incluir a família na ótica do cuidado.
Além de conferir controle dos sintomas, elaboração prognóstica, melhora na qualidade de vida e por vezes, aumento de sobrevida, a assessoria paliativa prioriza a autonomia do paciente e participa como consultor na elaboração das Diretivas Antecipadas de Vontade, ferramenta esta que assegura o paciente lúcido, de receber, no final de sua vida todo tratamento médico proporcional à sua realidade de saúde e de acordo com a sua percepção sobre a vida. Este documento se torna fundamental nestes estabelecimentos por dois motivos: Primeiro, a literatura evidencia uma menor sobrevida desta população, principalmente quando existe uma internação hospitalar recente; Segundo, auxilia a equipe de saúde na tomada de decisão, diante de intercorrências clínicas relacionadas ao envelhecimento e/ou avanço natural da doença.
Integrar abordagem paliativa às ILPIs garante identificação e tratamento dos sintomas, acolhimento das demandas familiares, gerenciamento da saúde de forma proporcional à evolução natural da doença e de acordo com os valores do paciente, além de dar retaguarda à equipe de saúde às tomadas de decisão, priorizando sempre os princípios da bioética: Autonomia, Beneficência, não maleficência e justiça.